No início da tarde desta quinta-feira (15) o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (70) reuniu lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) e a imprensa para prestar esclarecimentos quanto às denúncias realizadas pelo Ministério Público Federal em que o aponta como “comandante máximo” dos esquemas de corrupção na Petrobras. O ex-presidente contou um pouco de sua biografia política e afirmou que é neste momento um “cidadão indignado” e que “nunca pensou em passar por isso na vida”.

Em um momento de discurso mais inflamado Lula acusou o Ministério Público Federal e a Polícia Federal de fazerem uma “novela” em conluio com partidos opositores a ele e ao governo petista. A frase marcante de Lula durante o discurso foi a seguinte: “provem uma corrupção minha que irei a pé para ser preso”. Apelando para sua história de vida o ex-presidente disse que não existe explicação para o que ele denominou de espetáculo: “Vão agora dar o desfecho, acabar com a vida política do Lula. Não existe outra explicação para o espetáculo de pirotecnia que fizeram ontem quem mentiu está numa enrascada.” O presidente do Partido dos Trabalhadores – Rui Falcão – também se manifestou junto com o partido e afirmou que a intenção é “destruir o maior líder político do país” na visão de Falcão – Lula.

Na denúncia do Ministério Público Federal o ex-presidente é apresentado como o principal articulador de esquemas em que a OAS se beneficiou de recursos públicos através de processos contratuais e pagou ao mesmo propinas, incluindo R$ 3,7 milhões. Os acusados poderão se tornar réus no respectivo processo, incluindo o ex-presidente Lula e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva (66).

O ex-presidente ainda criticou as entrevistas coletivas do MPF e PF – o que ele chama de espetacularização midiática. Uma das controvérsias já alavancadas pela crítica política contra Lula é a afirmação em que o mesmo diz que o Ministério Público Federal havia afirmado que “não temos prova, mas convicção!”. Na verdade o que houve foram duas falas distintas em que os procuradores afirmam na seguinte ordem:

“Provas são pedaços da realidade, que geram convicção sobre um determinado fato ou hipótese. Todas essas informações e todas essas provas analisadas como num quebra-cabeça permitem formar seguramente, formar seguramente a figura de Lula no comando do esquema criminoso identificado na Lava Jato.” Afirmou Dallagnol 

Já o procurador Pozzobon afirmou o seguinte:

“Precisamos dizer desde já que, em se tratando da lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade”, afirma o procurador.