OPERAÇÃO CARTÃO VERMELHO: Ex-Governador Jaques Wagner é alvo de investigações da Polícia Federal

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Foto: Veja

A Polícia Federal deflagrou nesta manhã (26), em Salvador, a Operação Cartão Vermelho, com o objetivo de dar cumprimento a sete mandados de busca e apreensão, no âmbito da investigação que apura irregularidades na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão do estádio Arena Fonte Nova.

 

Os mandados – expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região – estão sendo cumpridos em órgãos públicos, empresas e endereços residenciais dos envolvidos no esquema criminoso, e têm por objetivo possibilitar a localização e a apreensão de provas   complementares dos desvios nas contratações públicas, do pagamento de propinas e da lavagem de dinheiro.

Dentre as irregularidades já evidenciadas no inquérito policial, estão fraude à licitação, superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Conforme apurado durante as investigações, a licitação que culminou com a Parceria Público Privada nº 02/2010 foi direcionada para beneficiar o consórcio Fonte Nova Participações – FNP, formado pelas empresas ODEBRECHT e OAS. A obra, segundo laudo pericial, foi superfaturada em valores que, corrigidos, podem chegar a mais de R$ 450 milhões, sendo grande parte desviada para o pagamento de propina e o financiamento de campanhas eleitorais.

O ex-governador da Bahia Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal por supostamente ter recebido R$ 82 milhões em propina do consórcio responsável pela construção da Arena Fonte Nova, em Salvador.

As investigações fazem parte da Operação Cartão Vermelho, a informação foi divulgada oficialmente pela Polícia Federal durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, em Salvador.

A PF detalha que ainda investiga a destinação final desses valores, mas afirmou que parte da quantia pode ter sido paga por meio de doações em campanhas eleitorais.

A polícia apreendeu na casa do ex-governador documentos, mídias e 15 relógios de luxo.

Também foram cumpridos mandados na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, pasta que ele comanda atualmente.

A PF ainda cumpriu mandados nas casas e escritórios do chefe da Casa Civil da Bahia, Bruno Dauster, e do empresário amigo de Wagner Carlos Daltro.

A polícia investiga se Bruno e Carlos atuaram como intermediários para o recebimento de propina a Wagner. A Polícia Federal detalha que tanto Wagner, como Bruno e Carlos foram investigados no inquérito.

Umas das entregas de propina feitas a Wagner, segundo a investigação da PF, no valor de R$ 500 mil, foi feita na casa da mãe do ex-governador, no Rio de Janeiro.

O consórcio responsável pela Arena Fonte Nova informou durante a manhã que está colaborando com as autoridades e ficou de enviar um comunicado por e-mail.

A Polícia Federal informou que, para a operação desta segunda-feira iria a pedir à Justiça autorizações para realizar conduções coercitivas de Wagner, Bruno Dauster e Carlos Daltro a fim de colher depoimentos. No entanto, como o Supremo Tribunal Federal suspendeu as conduções coercitivas, a polícia, então, resolveu pedir prisão temporária dos três suspeitos, o que foi negado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Sendo assim, a PF pretende ouvir os três suspeitos em depoimento ainda a ser agendado.

 

Da Redação: Rafa Nunes

Fonte: Polícia Federal / G1 Bahia