Umbuzeiros floridos no oeste não motivam moradores a lucrarem

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Foto|Reprodução

O escritor Euclides da Cunha afirmou que o umbuzeiro é a “árvore sagrada do sertão” e não é para menos. No meio da seca, em plena caatinga, quando a sede aperta e tudo o que se vê pela frente é simplesmente espinhos secos e galhos mortos é na batata do umbuzeiro que se encontra água limpa e fria. Nos meses de novembro e dezembro vem a riqueza e fartura através dos umbus (frutos do umbuzeiro).

Nós viajamos até a região oeste da Bahia e nos deparamos com algo curioso e lamentável – a falta de incentivo governamental para o beneficiamento dos frutos nativos da região. O umbu como fruto do semiárido além de saboroso possui alta qualidade nutritiva e importante fonte de vitaminas B, C e minerais. Por isso em algumas regiões, como em Juazeiro, no vale do São Francisco, existem incentivos para o beneficiamento do umbu e pequenos produtores e até moradores da zona urbana produzem licores, doces, geleias, sorvetes e sucos.

Foto|Reprodução (umbuzeiro florido)
Foto|Reprodução (umbuzeiro florido)

Esta mesma ideia empreendedora e salvadora de dezenas de famílias não se repete nas cidades de Guanambi, Carinhanha, Feira da Mata, Iuiu, Palmas de Monte Alto, entre outras. Estas cidades possuem grande quantidade de umbuzeiros, mas os moradores limitam-se ao consumo próprio ou no máximo uma ou outra que vende o produto in natura a preços irrisórios.

Nós entrevistamos a senhora Maria Benevides de 43 anos, residente em Mutans – Distrito de Guanambi – mãe de cinco filhos e ela nos fala sobre a falta de incentivo: “(…) justamente se o povo do poder (governantes) olhassem por nós criava um lugar e treinava nós para fazer essas coisas e depois “nóis” vendia e repartia o dinheiro” afirma a lavradora.

Em Carinhanha encontramos o mesmo problema e os moradores afirmam que na verdade a quantidade de umbuzeiro diminuiu bastante, haja vista, que após o período do carvão muitas pessoas passaram a arrancar os umbuzeiros para fazerem cercas e abrir espaço para pastos e criação de gado.

Nossa equipe tentou contato com as secretarias de agricultura de Guanambi e Carinhanha, mas não conseguimos resposta. Nossa meta era saber se já houve algum plano de desenvolvimento que visasse o beneficiamento de umbu para essas famílias carentes trabalharem.

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